segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Estou de vacances

Férias. Descanso. Quase sem trabalho.

Nunca estas palavras me souberam tão bem. Nunca o fim de um período lectivo me soube tão bem como tirar a corda do meu pescoço. Não minto quando digo que chorei de alívio por estar, finalmente, livre de aturar algumas pessoas, de fazer trabalhos, de estudar coisas que detesto absolutamente, de estar para aí com vontade de chorar pelos cantos. Chega. O que eu mais desejava era paz, era estar bem comigo e com os outros.

Estou com vontade de mandar um sms de Natal a uns quantos amigos. Porque é Natal, é verdade, e apesar de eu apreciar pouco esta troca desenfreada e deseperada de presentes que lhe deturpa o significado de união (a pontos de eu afirmar que festejo o Solstício de Inverno), eu gosto muito de me mostrar simpática e disponível para as pessoas, além de desafiar a minha criatividade a escrever uma mensagem de natal bonitinha e original. Até aí, a coisa parece simples. Mas acontece que eu tenho medo de mandar a mensagem a duas das pessoas que fazem parte do círculo de privilegiados. Mestre P e a S. O primeiro porque eu não sei a reacção dele: mandar-me à fava ou dar uma de professor compreensivo. A segunda, porque depois de tantas que ela me fez, não quero mandar-lhe a mensagem só para ela desdenhar de mim.

Então, falei com o meu Padrinho. Que é psicólogo, e assim é capaz de me dar um jeitinho enorme para estas coisas. Basicamente, essa conversa, que envolveu uma data de outras coisas pelo meio, levei banho por causa disso. Prontos. Eu volto a meter o Mestre num pedestal e a não interessar-me mais. Já vi que fazer isso só me traz problemas atrás de problemas. Idem para o outro. A sério, L, meter-me como membra inoficial da Orquestra, sem metade dos conhecimentos, para sair de lá a meio porque não tinha uma das pautas, eu que não posso lá ir às Sextas, por muito que queira, foi uma ideia de caca. Foi, não foi? E então com os dois génios que nem me olham, com metade da malta e o seu desprezo, por favor, nunca mais repitas a graça.

Bem, férias. A atuação da Orquestra no Sábado deu pano para mangas, enganei-me mil e trezentas vezes, perdi esperança, ganhei esperança, por milagre cantei bem no Coro (milagre, pá! Até a mulherzinha estava contente!), perdi esperança de novo, aldrabei, fui-me embora, a Di foi-me ver lá e fiquei orgulhosa (só por ti até arranjava maneira de te fazer entrar lá).

Para melhorar, desta feita não desmaiei. Cheguei a casa, torci um pé, estou com o tornozelo todo inchado. Depois, fui às compras a coxear, feita uma bela. Comprar blusas polares da Quechua, um suprimento vitalício delas, que são muito boas para tudo, incluíndo tocar, já que são quentinhas, confortáveis, a gola não incomoda e o tecido é óptimo. De várias cores, preta, roxa, vermelha, azul e azul acinzentado. Só me senti foi meio reduzida a ver que as blusas para malta de 14 anos servem-me bem. E eu tenho 17. Depois admiro-me de haver quem olhe para mim e não acredita que tenho 17 anos. Que sou pequena demais.

Além das blusas, passámos por uma loja que tinha CDs. Convenci os pais a deixarem-me entrar. Primeiro desesperei porque não encontrava nada. Mas, depois...

Uma coisa engraçada para alguns, constragedora para outros, e macabra para outros ainda, é verem-me numa loja a comprar mais CDs de Clássica. Eu guincho, grunho, salto de um lado para o outro, ando para imitar a Nodame (e é quase mesmo... mukya), e quando vamos a ver, tenho uma pilha de um palmo de altura para levar, dos quais tenho de deixar alguns, meio que a chorar. Desta vez, trouxe Bach, Brahms, Wagner e mais Tchaikovsky. Tenho mais coisas de Tchaikovsky do que qualquer outro compositor, e isso deve-se ao facto de ser raro eu encontrar os únicos dois que competem em pé de igualdade com ele: Mozart e Paganini. Está bem, o primeiro até se encontra, mas ali não havia nada dele. O segundo, é raridade total. Dava tudo por encontrar um CD dele. Enfim, a conta ali estava a ficar grande, por isso tive que deixar o Itália Clássica. Amuadíssima.

E tenho duas semanas para descansar. Meio feliz com o que tenho agora, afinal ganhei um telemóvel novinho. Um Xpress Music. Tratei imediatamente de o personalizar, com a Campanella como toque de chamadas e o Caprice nº 13 como toque de sms. Imagem de fundo, a mesma do Twitter. Cometi logo o erro de o perder no Conservatório. O L devolveu-mo. Com ar de quem está para dizer "Por favor, diz-me que não desceste a este nível." Se eu já estava corada, naquele momento era possível deitar-se e fritar um ovo em cima da minha cara.

Mas onde ia eu? Ah! Férias. Vou passar o Natal a casa da avó, porque ela é o ser mais profundo e compreensivo que eu já conheci. É incrível, que ela nem sabe ler nem escrever, mas sabe falar bem comigo. Tem uma sabedoria daquelas que só se adquire com tempo. Como uma Mama de Hoodoo, que eu hoje acabei de ver um filme com isso e penso incluir pedaços dessa religião numa das minhas escritas. Afinal, o Hoodoo começou em New Orleans, numa mistura entre africanos, europeus e americanos, exactamente lá pelas épocas em que Anne Rice baseou as suas obras. E, perdoem-me, mas eu prefiro Lestat, e Drácula, e Nosferatu, ao desgraçado do Edward da Meyer. Twilight, para mim, é recordar-me de The Twilight Zone, a preto e branco.

Por isso, não vou passar muitas vezes por aqui. Férias. Até mesmo do blog.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Under pressure

"Insanity laughs under pressure we're cracking" - Queen

Eu não sei por quanto mais tempo vou conseguir conter isto. Sei que é demasiada presunção minha dizer que sinto o Mundo em cima dos meus ombros, porque basta sair de perto da minha família, amigos, colegas e professores, que já não me conhecem, nem estão a fazer força em cima de mim. Sabem lá eles, afinal para muitos eu não passo de mais uma rapariga no meio dos milhões de raparigas que há no mundo. Eu não sou mais que isso. O meu sofrimento não é o Apocalipse. O Universo não gira à volta do meu umbigo. Eu não quero ser parva para ter esses pensamentos egoístas.

Os outros também têm os seus problemas, também sofrem, também choram, também têm vontade de desistir. Por isso, aprendi a calar a boca na maioria das vezes, e tenho de aprender a calar ainda mais. Pelo amor de Deus, Di, és minha amiga, mas não te posso obrigar sempre a ouvires-me a chorar. Basta. Tu também és gente, também tens o direito a sofrer. E a vir desabafar comigo.

Há tanto tempo que não recebia um abraço como aquele que me deste. Um abraço forte, que me fez sentir cada parte do teu corpo, um abraço de amizade inocente. Porque nós ainda somos inocentes para acreditar nisso. Nem os meus pais eu abraço assim, já. Não tenho, nem nunca tive, mais alguém para abraçar assim. Eu sempre fui muito, mas muito azarada no que toca a amores, porque estes, tirando aquelas paixonetas estúpidas por algum colega, nunca existiram. Se calhar, é por ser tão ignorante nesse ponto, que me vejo sempre envolvida em dramas demais na minha cabeça.

Dia 10. Eu já contei no Alma Musicae. Mas não tudo. E não é aqui que vou entrar em mais detalhes, porque parte do dia perdeu-se no meio do escuro. Eu não desejaria, nunca, esta sensação a nenhum de vocês: sair, sem força nas pernas, e ficar tudo escuro, apenas a sentir a força a falhar, a falta de ar, o declínio. Medo, desgosto. Felizmente, o lugar para onde fui estava mais frio, e sempre havia aquele vento. E, de tudo, o que mais me custou foi aperceber-me que não fui ao chão porque ele me segurou, que podia ter-me deixado cair em lágrimas, mas que optou por não o fazer.

Porquê? Porque é que eu faço isto? Quanto menos me quero envolver, fazer as pessoas sofrer, mais situações destas acontecem. E ainda, sair de lá, sem lhe falar, sem dizer mais nada, sem uma única palavra a não ser perguntar quando é que era o ensaio da Orquestra, à qual ainda menos vontade tenho de ir. Sair de lá à pressa para ir procurar o outro, que já nem lá estava. Terça não vou ser capaz de o olhar. Não sou capaz de lá pôr os pés como se nada fosse. E o outro... a Quinta... imagino que pense que eu desisti dele. Também não tenho coragem de o ver. Como é que lhe posso explicar que ele tem carradas infinitas de razão? Eu vi isso.

Não me bastava um, agora dois. Não me bastavam esses dois, distantes, intocáveis, inatingíveis para alguém como eu, ainda olhar e descobrir que os dois génios lá do sítio são, na verdade, maravilhosos, e desprezam-me, ou nem sabem que existo.

Agora? Agora anda o meu pai todo satisfeito com a sua gravação de mim, coisa que eu nem quero ver, nem ouvir, nem saber da existência. Odeio quando me gravam, porque erro, e detecto logo os meus erros. E eu sou uma pessoa insopurtável para mim mesma, porque eu não suporto quando erro. Eu não me permito a errar. Não posso. Agora, sinto-me a afogar por causa de tanta pressão. É o 12º ano, os professores que acham que eu quero ser como eles, o Conservatório e as aulas adicionais, o medo de os desiludir, de os desapontar, é o desejo de manter uma relação humanamente boa com a minha família, a pressão de colegas que fazem tudo, mesmo sem intenção, e que me deita abaixo. É a S que continua a fazer-me a vida negra, apesar de tudo o que passámos, é a J e a R e a P cuja amizade continua a parecer-se mais como uma miragem, é o R e eu a continuar a precisar da sua filosofia, e a C e aqueles dois génios... como eu gostava de ser como eles, e não posso.

Porquê, Deus? Porque não posso ser uma pessoa normal? Porque é que sofro tanto? Pedi-te um amante, amigas, e a música. Deste-me pessoas pelas quais apaixonar-me seria um escândalo, deste-me amigas que se tornaram frias e distantes, e deste-me música, oh se me deste, mas a ferro e fogo, com tanta, mas tanta dor junta, tanto desprezo dos outros por mim, que me pergunto se fiz o negócio com a pessoa certa, se não me amaldiçoaste para nunca conseguir.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Aquela que não fica feliz com Dezembro

A lista de infelicidades com Dezembro é longa, logo, vamos lá ver:

- A falta de tempo têm-me consumido tudo. Eu ando cansada, stressada, a chorar pelos cantos, novamente para os lados de deprimida. Eu não consigo focar a minha atenção ou vontade em nada, com as pessoas a insinuar que eu não faço nada, que eu sou uma inútil, incapaz. Não podem atirar-me os defeitos todos à cara e depois perguntar num arzinho inocente "Mas não vais desistir, não?" ou esperar que eu vá feliz para um teste.

- Voltei a ser a ovelha negra da escola. Miúdos do sétimo ano gozam-me, mais velhos gozam-me... eu já vos disse alguma vês que eu detesto pirralhas com fogo no rabo? Abaixo de quinze anos já é uma tortura demasiado grande para mim, e agora sou forçada a conviver com criancinhas. Pior ainda, eu sou baixíssima, tenho 1,54 metros, e vejo à minha volta estafermos de quinze anos um bom palmo mais altos que eu. É desmoralizador.

- O nosso professor de Matemática resolveu inventar no teste. Resultado? Um exercício que ninguém conseguiu resolver, enunciados errados e mal escritos, e vamos fazer outro teste. Eu estou atolada em testes, com uma vontade sobrehumana de mandar todos à fava e faltar à audição de dia 10.

- Aliás, volaram-me a ameaçar tirar de lá. Eu encolhi os ombros, disse que estavam ali os papéis e o violino, podiam por tudo dentro da lareira e passar o Natal. É incrível, o homem conseguiu deitar-me de novo abaixo, conseguiram fazer-me desistir do sonho que tinha. Agora é oficial que eu nem faço Universidade, nem faço nada. Eu só tenho forças para chorar feita uma idiota, feita a idiota que sou. E é nestas alturas que todos resolvem abrir o saco do ódio que têm por mim e despejar tudo em cima.

- Porque, vamos lá a ver, eu não consigo afinar decentemente, eu não consigo fazer ponta de um corno de Bach, eu não consigo ter sequer coragem para fazer aquilo. E depois vem ele dizer-me para eu parar de tocar a medo. Oh, que inteligência, descobriste que eu tava com medo como? Pela minha cara de mortificada, por eu estar com os típicos sinais da adolescente nervosa, ou foi do quê? De um lado tenho um que me diz que está bem, do outro lado está ele a dizer que eu não evoluo nada agora. Sim, é verdade. Cometi o maior erro que podia cometer lá, que é estagnar. Fui depressa demais, e agora chego a nenhures.

- E que raio foi aquilo do "Eu conheço-te há mais tempo."? Isso foi o quê, a sério? Uma afirmação de posse? Quantos anos tens mais que eu? Vinte? Trinta? Além de seres meu professor, além de me teres pago um lanche... espera, é isso? Pagaste-me um donut, ouviste tudo o que eu disse da boca para fora ali, e agora é isso? Mas quando foi com o meu pai nem hesitaste em dizer uma coisa diferente. A sério, quem és tu? Por acaso, és próximo a mim? És meu amigo? Festejaste comigo as minhas felicidades? Estiveste lá para eu chorar? Não, a sério, diz-me, quem és tu?

- Depois dessa, desenvolveram-se uma série de questões na minha cabeça, que eu gostava que alguém me respondesse. Aqui vão: O que é gostar? O que é a felicidade? Até que ponto se justifica viver infeliz ou morrer pela felicidade? O que é ser realmente talentoso e bom? Quanto tempo ainda me resta? Quem é que é meu amigo? Justifica-se eu estar afastada psicologicamente dos meus pais porque eles me acham uma inútil? Porque é que isto dói tanto?

- Para não falar de que me recusei a convidar familiares para a audição. A sério, vou fazer a audição rodeada de miudinhos pequenos, vou falhar, como tenho falhado na afinação, na orquestra... não, eu nem lá vou voltar nunca mais. Eu ganhei pavor àquele lugar, eu ganhei pavor a toda a gente outra vez, eu estou que não quero ver ninguém mais à minha frente, nunca mais me quero cruzar com eles, chega, basta. Não os quero olhar nos olhos outra vez, acho que eles pensam que eu sou conmpletamente estúpida e lenta. Aliás, sou. E dramática também.

- É Natal, e eu detesto Natal. tenho sempre demasiados trabalhos e problemas pessoais durante o Natal. Felizmente, consegui convencer os meus pais a deixarem-me ir ter com os meus avós lá no monte.

- Pretendo isolar-me do mundo. E não querer mais saber de nada. Já levei demasiado daqui. Já nem o psicólogo me quer ouvir, não tenho ninguém a quem falar.

- Vontade psicológica de beber Hg.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Tempo

Tempo: coisa que quanto mais se quer, menos se tem, e quanto mais perdido se está, mais se perde nele.

Tive uma semana em que mal me podia virar, porque não havia forma de fazer tanto em tão pouco tempo. Ainda tenho de acabar uma pesquisa para o trabalho de AP (pois é, pois é, sobre Moda. Eu sei o que dirão, porque eu digo o mesmo, mas era só uma contra três, e até o professor apoiava... e agora vamos a descarrilar para nenhures). Tenho mais testes quinta, sábado, etc, etc, a audição dia 10, as outras dia 19...

Mas o tempo é algo que não se controla de forma nenhuma. Eu queria tempo para tudo isso aí em cima, e para escrever em Interdimensionaria, que tenho mais uma folha para passar a limpo no computador (sei lá de onde, veio esta força para escrever), tempo para ver a Câmara dos Segredos de novo, e o Prisioneiro de Azkaban, tempo para ver de novo Nodame Cantabile.

E chego ao dia de hoje, com algum tempo (uma tarde inteira), sem querer fazer nada. Nem escrever, nem ler, nem ver filmes, animes, qualquer coisa dessas. Finalmente tenho algum tempo, e tudo o que me apetece fazer é ir para um cantinho, enroscar-me, e não fazer absolutamente nada. É claro que não vou poder sequer fazer isso, porque me vou obrigar a fazer os trabalhos da escola. Porque é uma obrigação que tenho. E eu, como ser minimamente responsável e perfeccionista que sou, arrasto-me a mim mesma para cumprir o dever.

Não evita, claro, que eu faça porcaria, brigue comigo mesmo e acabe outra vez lá ao cantinho, desta vez a chorar.

Mas, no fundo, é isto: o tempo nunca nos chega. Desejaríamos sempre que o dia tivesse mais horas que aquelas que tem. Na maiora parte das vezes, a culpa é nossa, que aproveitamos mal qualquer que seja os minutos que nos restem. Por vezes, é mais o tempo que perdemos em ninharias, a choramingar sobre o leite derramado, do que propriamente a ultrapassar a situação. E, quando finalmente parece que temos tempo, perdemos num mar de coisas que gostávamos de ter feito, e já não vamos a tempo, ou com vontade. Houve ali qualquer coisa que se perdeu entre esta mudança, este inbetween entre não ter tempo e, de repente, parar e ter a possibilidade de pensar, reflectir, fazer.

E, assim, não sei o que custa mais: não ter tempo nenhum nem sequer para lamentar não o ter, ou ter tempo para cair em melancolia.

É que agora comecei a falar muito mais com os meus pais. Desde a consulta do psicólogo que assim é, e diz ele que esta comunicação vem a calhar e é boa. O problema é que eu acho que vem tarde demais, e já me desabituei a falar com eles. Eu, durante dezassete anos, tive uma mãe ausente em casa, que trabalhava de noite e mal nos falava, a não ser para mandar fazer tarefas de casa e dizer que eu fazia tudo mal. Por vezes ainda ia comigo à escola, mas era sempre muito pouco.

Agora, de cada vez que falo com eles, a única coisa que me vem à cabeça é... sorrow. Creio que é mágoa, ou algo assim, mesclado com medo ou algo estranho. De cada vez que me vejo nos velhos filmes de família (não tão velhos assim, são coisas de há dois/três anos atrás), não me reconheço. E quando falo com eles, também não. não sei que imagem criaram de mim, quem pensam que sou, e que no fundo não sou. Eles continuam a querer que eu seja uma doutora rica, que nos vá arrancar a todos da pobreza de dinheiro. Há muito tempo atrás, julgo eu que me deixei também levar um bocado por esse sonho. Não sei quando foi que me distanciei deles.

Não queria. Nunca quis. Neste momento, estou capaz de, mais uma vez, abandonar qualquer sonho de arte que tenha para voltar a dar-me bem com eles, mas não sei como o fazer. Não sei como ganhar interesse pelo que eles querem, e não estou para tirar um curso contrariada. Não vale a pena. Eles são meus pais, nunca os devia ter perdido. Não sei onde foi que errei, ou errámos todos. Sei apenas que sou uma pessoa triste, cada vez mais fujo a afectos. E, no entanto, anseio por eles.

Devia contar os minutos até me tornar completamente maluca. Só que acho que já estou.

Preciso de uma amiga para falar. Uma que, de preferência, também saiba música ou qualquer outra arte, que isto regado a dilemas de oitavas ainda desce que é um descanso.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Worst week ever

Finalmente consegui aqui parar... e já é sexta.

Esta semana está, com certeza, reservada para acabar com a imagem do senhor gordo nerd dos Simpsons a dizer, sentencioso, "Worst week ever!" Só parei mesmo agora de fazer o que quer que seja, e ainda tenho trabalhos pela frente, treino, mais testes, treino, apresentações... deito as mãos à cabeça e, se no futuro, isto só for piorar, então, pobre de mim. Se bem que a culpa também é minha.

Aliás, é culpa inteiramente minha que eu tenha instalado de novo o jogo Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, jogar em tudo o quanto era tempo livre (umas míseras três horas), e ir a correr buscar o livro para ler pela vez número... não sei. Só sei que esse livro tem a lombada completamente arqueada, tal não foi o número de vez que já o abri para ler. Depois digo que não sou viciada. (Mas, para que fique aqui registado, para mim, Harry Potter é Câmara dos Segredos e Prisioneiro de Azkaban, porque os últimos livros não chegam a esse nível - e é apenas a minha opinião.)

Como se não bastasse, caí novamente nas escadas, e ganhei umas belas nódoas negras. Já percebi, o meu problema é com escadas. Nunca consigo subir um escadote até ao fim, e espalho-me à grande e à francesa em qualquer escada, à frente de amigos, colegas e professores. Desta vez foi em casa. Para a próxima será onde? E por quanto mais tempo andarei eu de nódoas negras?

Bem, isso não interessa agora. O que interessa é que dia 10 de Dezembro eu tenho audição. Não só, dia 19 é também audição de Coro e de Orquestra. A primeira, para mim, é obrigatória. A segunda, certo alguém teve a ideia genial de me incluir lá, só com um ensaio geral num domingo. Eu, que nunca pus os pés numa orquestra, só com um ensaio sou recambiada para lá. Imagino o desastre cultural que por ali não passará.

Passando adiante desse detalhe, o qual aconselho a evitar (se morarem aqui perto, dia 19 corram para os Himalaias!), tenho também de trabalhar para uma montanha de coisas na escola, porque, de súbito, todos se lembraram de trabalhos a apresentar, relatórios, actividades que acham engraçado para nós fazermos e que nós não achamos graça nenhuma. Eu, pelo menos, posso achar imensa graça até ao exercício mais idiota de música, mas mandar-me um caderno de exercícios de Biologia para estimular o meu interesse por Mendel é pedir para eu torcer bem o nariz.

Porém, nem tudo foi mau. Voltei a conversar com a Din, como não fazia há muito tempo. E a fugirmos de abelhas. É nestas horas que pergunto porque é que somos forçadas a crescer de uma forma tão estranha, nesta sociedade? Desde cedo, desde os nossos sete anos, que não somos nem do grupo das meninas bonitas, nem do grupo dos rapazes, se bem que, actualmente, ela na natação sincronizada e eu no violino já nos tenha posto no clube das que anteriormente tinham ballet e clarinete.

Segundo o que dizemos de nós, nós sempre fomos estranhas, distantes. Eu, ela, o Phype e mais uns dois ou três, a fazer casinhas de pedra e terra para os brinquedos dos ovos da Kinder. Eu, excelente a tudo, com veia para teatro e para cantar, ou assim parecia, gostava de estar sozinha por uns bons largos tempos para fazer a minha actividade favorita: andar pelo pátio, sem rumo, com uma música na cabeça, a imaginar histórias, com uma personagem que tinha o aspecto do boneco noivo do bolo do casamento dos meus pais. Esse, era o Sirius, depois de eu ter lido Harry Potter pela primeira vez, e é o início de duas personagens que me haveriam de acompanhar sempre: Ringo e Cassidy.

Um dia, falo sobre elas. Embora falar sobre elas seja, no fundo, entregar de bandeja grande parte do que é Interdimensionaria, apoiada em High Hopes e Peverell Maiden.

Não conto conseguir vir cá mais vezes para escrever, não agora que abri o Alma Musicae. Vou acabar por postar mais lá, sobre música exclusivamente, e deixar este blog para outros devaneios mais pessoais e aleatórios. Esporádicos, já dizia alguém. E, acho que ainda hoje lá posto um pequeno conto que escrevi, e que só penso disponibilizar aqui também no domingo.